Censo Fala Jovem Advocacia orientará políticas da OAB

O Conselho Federal da OAB divulgou os resultados do Fala Jovem Advocacia, censo nacional que reúne dados e percepções de advogadas e advogados com até cinco anos de inscrição na Ordem. Com 9.102 respondentes de todos os estados brasileiros, o levantamento traça um panorama abrangente da realidade socioeconômica da jovem advocacia e busca subsidiar a formulação de políticas institucionais de apoio voltadas a esse público.

O Paraná ficou entre os três estados com maior número de respondentes e, proporcionalmente, foi o estado com maior taxa de participação. As informações foram consolidadas em relatório oficial e encaminhadas ao Colégio de Ouvidores da OAB e à diretoria do Conselho Federal, reforçando o caráter estratégico do estudo.

Os dados foram apresentados pela ouvidora-adjunta da Jovem Advocacia do CFOAB, Vitória Jovana da Silva Uchôa, durante a primeira sessão ordinária do Conselho Pleno de 2026, realizada na segunda-feira (2/2), na sede da OAB-DF.

Perfil e principais dificuldades

Dividido em oito eixos temáticos, o censo reúne informações sobre inscrição na OAB, início da carreira, acesso à capacitação, inclusão, remuneração, tecnologia, atuação no interior e prerrogativas profissionais.

Em relação ao tempo de inscrição, 39% dos participantes (3.548) possuem menos de um ano na advocacia. Outros 1.980 têm entre 1 e 2 anos, 1.756 entre 2 e 3 anos, 1.153 entre 3 e 4 anos e 652 entre 4 e 5 anos, evidenciando a forte presença de profissionais em fase inicial da carreira.

A falta de clientes aparece como a principal dificuldade enfrentada no início da atuação profissional, mencionada por 3.279 respondentes (36%). Também se destacam a insegurança técnica e prática processual (2.506 citações), os altos custos para manutenção de escritório (1.547) e a ausência de mentoria por profissionais mais experientes (1.299).

Capacitação, inclusão e remuneração

O levantamento aponta que o alto custo dos cursos jurídicos é o principal fator que dificulta a participação da jovem advocacia em formações, com 4.367 menções (48%). Também foram citadas a falta de cursos práticos alinhados à realidade profissional, a escassez de tempo diante da carga de trabalho e a pouca clareza sobre os cursos e formatos ofertados pela Escola Superior da Advocacia (ESA).

Quanto às barreiras de inclusão, 50% dos participantes afirmaram não perceber dificuldades no acesso igualitário a oportunidades. Já a outra metade apontou entraves como a ausência de políticas institucionais de igualdade, a falta de acessibilidade em espaços da OAB e do Judiciário e a escassez de apoio para pessoas com deficiência ou neurodivergência.

Os desafios relacionados à remuneração também se destacam: 32,9% afirmam receber valores incompatíveis com a carga de trabalho; 31% relatam dificuldade na precificação de honorários e problemas com inadimplência; e 28,9% mencionam a concorrência desleal como obstáculo recorrente.

Tecnologia, prerrogativas e atuação no interior

No campo tecnológico, a principal dificuldade apontada é o alto custo de softwares jurídicos, além da complexidade de sistemas processuais eletrônicos e da falta de capacitação prática. Apesar disso, 38,6% afirmam dominar bem as ferramentas tecnológicas disponíveis.

Entre as violações de prerrogativas, o aviltamento de honorários foi o problema mais citado, apontado por 46,1% dos respondentes. Também foram relatadas restrições de fala em audiências, tratamento desrespeitoso, dificuldades de acesso a processos e ambientes judiciais e episódios de violência no exercício da profissão.

No recorte territorial, 1.760 advogadas e advogados indicaram a falta de estrutura do Judiciário como principal desafio no interior. A pouca oferta de cursos e eventos da OAB (1.544 menções) e a falta de estrutura e apoio institucional (919) também foram apontadas. Ainda assim, 4.498 participantes informaram não atuar nessas localidades.

Confira o relatório final do Censo Fala Jovem