Seminário “O futuro da Justiça” reúne especialistas em Curitiba

A realização da justiça é um dos fundamentais anseios do homem ao longo da sua história. Nos países que exercem a plena democracia, os cidadãos buscam valer seus direitos com maior vigor e, naturalmente, tornam-se mais exigentes em relação à máquina do judiciário. Com a afirmação o presidente da OAB Paraná, José Lucio Glomb, abriu os trabalhos do seminário “O futuro da Justiça”, que reúne até a sexta-feira (28) renomados juristas em uma reflexão sobre atuais desafios da Justiça brasileira e traçar possíveis caminhos em direção a um futuro auspicioso. Além de Glomb, a mesa de abertura do evento foi composta também pelo secretário-geral da Seccional, Juliano Breda; a secretária-geral adjunta, Juliana Colle Bretas; o presidente do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP-PR), Carlos Eduardo Manfredini Hapnar; o conselheiro da Seccional, Rodrigo Kanayama; a coordenadora do evento, Rogéria Dotti, além do ex-conselheiro do CNJ, Joaquim de Arruda Falcão Neto, que falou sobre o tema “Justiça Brasileira: problemas e alternativas”, na conferência de abertura .

“Segundo recentes levantamentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no Brasil temos em torno de 85 milhões de processos em andamento. A pergunta que se faz é como conciliar esse extraordinário número com o que nos oferece o judiciário para dar uma resposta em tempo razoável. A Constituição Federal garante a razoável duração do processo, o que por si só não representa maior agilidade. É um princípio a ser concretizado, mas encontra uma série de obstáculos, eis que a demanda que só vem crescendo”, disse Glomb.

Glomb destacou como fundamental o papel do CNJ. “Por muito tempo, o Judiciário esteve avesso a mostrar suas entranhas, situação que vem mudando nesta era de informações rápidas, com exigências de transparência e cobrança de atuação dinâmica e competente. Criado com grande resistência da magistratura, o CNJ foi instalado em 2005 e mostrou ao que veio, representando um marco para a melhoria da atividade judiciária”, sustentou. “Há um grande desafio pela frente. É muito difícil fazer previsões sobre a Justiça no futuro, mas certamente ela haverá de melhorar, para ser mais rápida, sem sacrificar o direito daqueles que dela necessitam”, frisou o presidente da Seccional.

“De acordo com a última pesquisa da Fundação Getúlio Vargas do Índice de Confiança na Justiça brasileira – ICJBrasil,  apenas 42% da população acredita na Justiça. Isso é muito ruim. É importante entendermos os problemas que existem, o motivo desta baixa credibilidade do sistema judiciário e o que pode ser alterado”, explicou a coordenadora do evento, a advogada Rogéria Dotti.

Rogéria citou  a questão da corrupção, da morosidade do judiciário e as dificuldades de falta de estrutura como alguns dos principais problemas do judiciário. “ O problema da Justiça passa por uma questão cultural. As pessoas precisam ter uma compreensão diferente da Justiça. Nem tudo tem que ir para o judiciário e tem que haver mais ética também”, disse.

Segundo o ICJBrasil o judiciário é a 6º instituição em credibilidade. “Antes do judiciário aparecem as Forças Armadas, a imprensa, empresas e igreja católica. Portanto é preciso fazer alguma coisa para mudar não só a questão da confiança da população, mas também os problemas que geram esta falta de confiança. Acredito que o julgamento do mensalão é algo bem importante e positivo. O Supremo Tribunal Federal está dando um exemplo bem importante para a sociedade”, afirmou Rogéria Dotti.

Na sexta-feira os painéis começam às 8h30 com o tema “O futuro do Judiciário e a tecnologia da informação”, com o juiz federal Friedmann Anderson Wendpap. Na sequência, a professora do Curso de Pós-Graduação do Programa de Ciência Política da USP, Maria Tereza Aina Sadek, fala sobre  as perspectivas sobre a solução de litígios. 

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