Mary Del Priore foi um dos destaques do primeiro dia da Festa Literária do Paraná (Flap). O evento segue também no domingo, no Museu Oscar Niemeyer (MON). Com mediação de Guilherme Shibata, curador da festa organizado pela OAB Paraná, o encontro atraiu o público para uma reflexão sobre memória, história e o papel das mulheres na construção da narrativa brasileira.
A autora falou sobre a importância de resgatar trajetórias femininas invisibilizadas pela história oficial. Para ela, biografar mulheres também é um exercício de reparação histórica, começou sua apresentação falando de Francisca da Silva.
“Denunciam o médico com quem ela vivia no arraial mineiro do Tijuco (hoje Diamantina) por bigamia. Em seguida, por pressão de um bispo, Francisca se casa com o contratador João Fernandes. Tem 13 filhos ao longo de 15 anos e, assim, passa a fazer parte da sociedade. Mesmo quando ele parte para Portugal, a família fica amparada, vivendo da forma mais burguesa e socialmente integrada possível”, contou para defender que a falta de conhecimento histórico esvazia o protagonismo de mulheres como Chica da Silva.
Tarsila
Para Mary Del Priore, Tarsila do Amaral também é alvo de um estereótipo. “A imagem que se cristalizou deixa de lado o sofrimento que ela enfrentou desde os 19 anos, quando se casou com um primo por determinação paterna. Logo, o primo a abandona, fugindo com a cunhada”, citou. A escritora ressaltou que a vida pessoal da pintora foi apagadíssima. “Ela não teve juventude, foi deglutida por uma sociedade extremamente conservadora. Por isso, foi a Paris para voltar já em 1922, ano da famosa Semana da Arte Moderna. Sendo 36 anos mais velha, se casa em 1923 com Oswald de Andrade, mas ele se comporta com Tarsila da maneira mais canalha possível”.
Na conclusão da mesa, a autora mostrou grande preocupação com o desconhecimento geral: “ninguém sabe nada de história do Brasil”, resumiu. Ela também afirmou que aprendeu muito ao biografar mulheres e parabenizou os organizadores pela realização da Flap.
O painel reforçou uma das propostas centrais da festa: promover encontros que, por meio da literatura, ampliem repertórios e estimulem novas formas de compreensão da sociedade. A programação completa está no perfil da festa literária no Instagram: @flap_se



Crédito de imagem: Antônio More



