O painel “Mulheres biografadas: uma conversa com Mary Del Priore” foi um dos destaques da programação neste sábado (25/4), primeiro dia da Festa Literária da Advocacia Paranaense (FLAP), que segue também no domingo, no Museu Oscar Niemeyer. Com mediação do curador Guilherme Shibata, curador do evento organizado pela OAB Paraná, o encontro reuniu o público para uma reflexão sobre memória, história e o papel das mulheres na construção da narrativa brasileira.
Reconhecida por sua vasta produção intelectual, Mary Del Priore falou sobre a importância de resgatar trajetórias femininas muitas vezes invisibilizadas pela história oficial. A autora, para quem biografar mulheres também é um exercício de reparação histórica, começou sua apresentação falando de Francisca da Silva.
“Havia uma espécie de controle dentro das comunidades e o médico com quem ela vivia no arraial mineiro do Tijuco (hoje Diamantina) é denunciado por bigamia. Por pressão de um bispo, Francisca é vendida, casa-se com o contratador João Fernandes e tem 13 filhos ao longo de 15 anos, passando a fazer parte da sociedade. Mesmo quando ele parte para Partugual, a família fica amparada, vivendo da forma mais burguesa e socialmente integrada possível”, contou para defender que a falta de conhecimento histórico esvazia o protagonismo de mulheres como Chica da Silva.
Tarsila
Para Mary Del Priore, Tarsila do Amaral também é alvo de um estereótipo. “A imagem que se cristalizou deixa de lado o sofrimento que ela enfrentou desde os 19 anos, quando se casou com um primo por determinação paterna. O primo a abandona um ano depois, fugindo com a cunhada”, lembrou. A escritora lembra que a vida pessoal da pintora foi apagadíssima. “Ela não teve juventude, foi deglutida por uma sociedade extremamente conservadora. Depois foi a Paris para voltar já em 1922, no ano da famosa Semana da Arte Moderna. Sendo 36 anos mais velha, se casa no ano seguinte com Oswald de Andrade e ele se comporta com Tarsila da maneira mais canalha possível”.
Na conclusão da mesa, a autora mostrou grande preocupação com o desconhecimento geral: “ninguém sabe nada de história do Brasil”, resumiu. Ela também afirmou que aprendeu muito ao biografar mulheres e parabenizou os organizadores pela realização da Flap.
O painel reforçou uma das propostas centrais da festa: promover encontros que, por meio da literatura, ampliem repertórios e estimulem novas formas de compreensão da sociedade. A programação completa está no perfil da festa literária no Instagram: @flap_se



Crédito de imagem: Antônio More




