Boas práticas ajudam a evitar o golpe do falso advogado

Diante do aumento de casos do chamado “golpe do falso advogado”, a advocacia tem buscado alternativas para proteger clientes e escritórios. Na OAB Foz do Iguaçu, uma iniciativa prática implementada por escritórios locais tem apresentado resultados positivos e pode servir de modelo para outros profissionais.

A proposta foi compartilhada pela secretária-geral da subseção, Márcia Cristina Arlindo Manenti, após alguns clientes do escritório em que atua serem vítimas do golpe e discussões internas sobre o tema. A estratégia combina tecnologia, orientação direta ao cliente e ajustes contratuais para criar uma camada extra de segurança nas comunicações.

A principal medida consiste na instalação, já no primeiro atendimento, de um aplicativo autenticador no celular do cliente — como o Google Authenticator. No mesmo ato em que são assinados contrato de honorários e procuração, o cliente recebe uma chave de acesso exclusiva, vinculada ao escritório.

Essa chave funciona como um código de verificação dinâmico, que deve ser confirmado a cada contato entre cliente e advogado. “A orientação é clara: nenhuma informação ou solicitação deve ser considerada válida sem a conferência da senha”, explica Márcia.

Além da ferramenta tecnológica, o procedimento inclui um termo explicativo e um treinamento rápido, de cerca de dois minutos, no qual o cliente é orientado sobre como funcionam os golpes, como utilizar o código de segurança e quais cuidados deve adotar (confira os modelos aqui). Em caso de dúvida, a recomendação é sempre buscar atendimento presencial.

Outra frente importante da iniciativa está na formalização contratual. Os escritórios podem incluir cláusulas específicas sobre o golpe do falso advogado, determinando que pagamentos e troca de informações só devem ocorrer presencialmente ou mediante validação da chave. Também fica estabelecido que eventual suporte jurídico em casos de fraude será condicionado ao cumprimento dessas medidas de segurança.

A adoção do sistema foi estendida também a clientes antigos, que estão sendo chamados aos escritórios para realizar o cadastro. Segundo Márcia Cristina, mais de 100 clientes do escritório em que atua já aderiram ao procedimento, com boa aceitação e sem dificuldades técnicas relevantes.

A medida surgiu após episódios concretos: alguns clientes foram vítimas do golpe e precisaram de acompanhamento até delegacias e instituições bancárias, gerando prejuízos financeiros e demanda extra de trabalho para os escritórios.

“É mais difícil explicar do que fazer”, resume a secretária-geral. “Mas é uma prática simples, rápida e que tem trazido resultados efetivos na prevenção.”