“A inteligência artificial jamais terá o fator humano — e isso só cabe a nós”, destaca Emília Roters Ribeiro

Referência nacional em Direito Ético e Disciplinar, Emília Roters Ribeiro chegou a Curitiba para abrir o I Congresso de Ética da OAB Paraná, com a palestra “Ética e Resiliência na Advocacia 4.0: Navegando o Futuro sem Perder a Humanidade”. Presidente do Tribunal de Ética e Disciplina da Bahia, a advogada conversou com a equipe de Comunicação da OAB-PR sobre o tema mais urgente da advocacia contemporânea, os limites da inteligência artificial e o que representa ver uma seccional abraçar a ética como prioridade institucional.

Qual é, na sua visão, o tema mais urgente ao se tratar de ética na advocacia hoje?

Os temas mais gritantes, que mais falam à advocacia hoje, são os ligados à tecnologia e à inteligência artificial. São os temas do momento. Mas a gente também não pode se apartar de outros que sempre são recorrentes. Inclusive, esse é um dos grandes motes desse congresso — a gente está aqui também para falar sobre inteligência artificial e tecnologia.

Quais são os maiores desafios que a inteligência artificial traz à advocacia — até que ponto usar, como validar esse uso?

A tecnologia é uma coisa que veio para ficar, e ela é muito boa quando você a usa com integridade, com ética, com consciência. A gente não manda para trás, a gente só manda para frente. Então temos que tomar a tecnologia como nossa aliada. Mas a tecnologia jamais terá uma coisa que nós sempre teremos: o fator humano, a nossa humanidade. O próprio nome — inteligência artificial — dá a impressão de que esse sistema seria passível de raciocínio, e isso não é verdade. Dentro da advocacia, quem peticiona, quem fala, quem é responsável, somos nós, advogadas e advogados. A inteligência artificial serve como uma ajuda, mas quem sempre estará responsável perante os clientes, perante a Justiça, perante os tribunais de ética, sempre será o advogado e a advogada. Talvez as pessoas se empolguem demais achando que a inteligência artificial pode fazer tudo — e ela não pode. Ela não pode olhar no olho de um cliente vulnerável, ter compaixão e saber como agir. Isso nenhuma inteligência artificial vai ter. Isso só cabe a nós, humanos.

Qual a importância de uma seccional do sistema OAB se debruçar sobre o tema da ética, como ocorre nesse congresso?

Estou me sentindo extremamente honrada — genuinamente honrada — de estar aqui, porque não é toda seccional que abraça esse tema como a OAB Paraná abraçou. Espero que esse seja o primeiro de muitos congressos. A ética, eu sempre digo, é um dos dois pilares da advocacia — o outro são as prerrogativas. São duas coisas inseparáveis, sem as quais a gente não consegue caminhar. E quando a gente vê uma seccional tão importante tomar para si um tema de tanta relevância, a gente fica muito feliz e orgulhosa. Quando eu cheguei aqui hoje, a primeira coisa que disse à colega que me acompanhava foi: pronto, cheguei em casa. Porque é assim que eu me sinto — quando a gente é bem acolhida, bem querida por esse Brasil afora, e o Paraná não fica de fora.