A programação da Festa Literária do Paraná reservou espaço neste domingo (26/4) para debater o papel da leitura dentro da própria advocacia. Duas rodas de conversa reuniram advogados e estudantes de Direito no Museu Oscar Niemeyer: uma sobre os clubes de leitura das comissões da OAB-PR e outra sobre a relevância dos clássicos jurídicos na formação do profissional do Direito.
De acordo com a diretora de Comissões da OAB Paraná, Emma Bueno, os clubes de leitura já acontecem há algum tempo dentro da entidade, mas ganharam visibilidade na FLAP. Seis comissões da seccional — entre elas as de Advocacia Corporativa, Estudos sobre Violência de Gênero, Gestão Pública, Criança e Adolescente e Mulheres Advogadas — mantêm clubes de leitura com encontros mensais dedicados a obras literárias não jurídicas. “A ideia é debater textos literários. Na Comissão das Mulheres Advogadas, por exemplo, prestigiam-se apenas autoras mulheres, temas envolvendo a questão da mulher — não necessariamente no direito, mas na literatura de uma maneira geral”, explicou.
Para Emma, trazer esses clubes à FLAP teve um propósito duplo: dar visibilidade ao que já existe e estimular novas adesões. “A ideia é mostrar a existência desses clubes para incentivar advogados e advogadas a participarem e também para incentivar outras comissões a criarem os seus. Como o nosso presidente disse ao longo da divulgação da FLAP: advogados que leem são melhores advogados.”
Já a segunda roda de conversa, conduzida por Luiza Pin, trouxe à discussão uma pergunta que parece simples, mas revela um problema real na formação jurídica contemporânea: por que os clássicos ainda importam? Para Luiza, a resposta está no que se perde quando a leitura profunda é substituída pelo consumo acelerado de conteúdo superficial. “Sempre somos tomados por muitas informações na internet, conteúdos rasos, superficiais. E nós acreditamos que a retomada da leitura de textos escritos há séculos, há décadas atrás, é importante para que a gente consiga entender os fundamentos e as estruturas do pensamento crítico do direito.”
A iniciativa, chamada Círculo Jurídico, propõe reeditar clássicos do Direito em edições cuidadosas, com curadoria e tradução criteriosa, acompanhadas de um manual explicativo. “Nós nos preocupamos com a compreensão desses textos”, disse Luiza. O objetivo, resumiu, é melhorar o debate público e aprofundar a compreensão do Direito — “para que a gente consiga debater com mais profundidade, com mais clareza, com mais compromisso com a verdade.”
Juntas, as duas iniciativas reforçaram uma das apostas centrais da FLAP: a de que a literatura e a leitura não são acessórios na vida do advogado, mas ferramentas essenciais para quem lida diariamente com palavras, argumentos e a complexidade humana.





