Palestra de abertura do II Fórum das Pessoas com Deficiência prega protagonismo

 

A palestra magna de abertura do II Fórum Nacional da Pessoa com Deficiência foi feita pela médica e professora Izabel Maria Madeira de Loureiro Maior, que é especialista em políticas públicas e gestão governamental e em bioética pela Universidade de Brasília.  A médica abordou o tema “A pessoa com deficiência como protagonista da sua dignidade e direitos”. Além da experiência pessoal como cadeirante, ela trouxe para os presentes ao evento o conhecimento acumulado como secretária nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, cargo vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Na sua apresentação, a médica comentou o relatório da ONG Human Rights Watch sobre os abrigos para pessoas com deficiência no Brasil, que mostrou uma situação, segundo ela, “nefasta insustentável”. Izabel apresentou alguns dados do relatório, que tem como título “Eles Ficam Até Morrer”. Cinco mil crianças e o mesmo número de adultos vivem nestes abrigos, muitas vezes sem roupas, atados a seus leitos, sem qualquer dignidade. “Várias ações foram tentadas para que as violações, as violências e os abusos parassem, mas é insuficiente. Não conseguimos fazer com que as engrenagens que mantêm esta situação rodem no sentido da inclusão e do acolhimento com dignidade”, afirmou.

Ao debater possíveis soluções, ressaltou a importância do respeito às leis, tanto brasileiras quanto à Convenção Internacional da ONU para a pessoa com deficiência, que garantem, por exemplo, o benefício mensal para as famílias. Segundo ela, a mudança de estrutura, de abrigos para casas inclusivas, também ajudaria, assim como garantir alguma autonomia. Izabel também cobrou que os participantes do fórum, principalmente das comissões da OAB, saiam com um pacto para que “nenhuma pessoa com deficiência seja deixada para trás em um abrigo”.

A médica fisiatra tornou-se uma pessoa com deficiência física em 1976. Ainda no final da década de 70, ela começou sua luta em prol da inclusão das pessoas com deficiência e não parou mais. Tanto que, em 2010, recebeu da Organização dos Estados Americanos (OEA) um prêmio por sua “contribuição ao desenvolvimento de um continente mais inclusivo”. É autora do livro e do documentário em vídeo “História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil”, produzidos pela Secretaria de Direitos Humanos em parceria com a Organização dos Estados Ibero-americanos.

Com informações do Conselho Federal 

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