Novos advogados manifestam desejo de lutar pelos que não têm voz

Um grupo de 70 compromissandos recebeu na manhã desta sexta-feira (16/3), na OAB Paraná, a habilitação que lhes permite atuar na advocacia. Na solenidade conduzida pelo presidente da seccional, José Augusto Araújo de Noronha, o repúdio à exclusão social e desejo manifesto de lutar pelos que não têm voz deram o tom dos discursos.

Primeira oradora a falar pelo grupo, Gabriela Silva Ferreira, 21 anos, revelou a todos o sacrifício de percorrer todos os dias, na ida e na volta, a distância entre o prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, onde se formou, e a Borda do Campo, em São José dos Pinhais, onde vive. “Quando vejo meus vizinhos, na Borda do Campo, esqueço o cansaço e percebo que é um privilégio lutar por quem não pode”, afirmou, destacando que advogar é se recursar a fechar os olhos para o massacre a conta-gotas que vivemos no Brasil. “O desafio é grande, mas a esperança também”, declarou.

Ao fim de seu discurso, Gabriela repetiu as palavras do poeta russo Vladimir Maiakovski: “Que os meus ideais sejam tanto mais fortes quanto maiores forem os desafios, mesmo que precise transpor obstáculos aparentemente intransponíveis. Porque metade de mim é feita de sonhos e a outra metade é de lutas”.

Nas ruas

Fernanda Dias de Ornelas, 23 anos, também formada pela UFPR, discursou em seguida. Ela augurou que os novos advogados presentes nunca deixassem de lutar contra as estruturas de opressão. “O direito não mora nos escritórios e nos gabinetes. O direito mora nas ruas”, afirmou.

Terceiro dos oradores a a tomar a palavra em nome dos compromissandos, Maycon Anderson Pimental, formado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) centrou sua mensagem em duas palavras: gratidão e amor. “É o que está fazendo falta no mundo”, resumiu.

Giovanna Michelato Almada, graduada pela PUC-PR, subiu à tribuna tomada pela emoção. “Há um mês perdi meu avô. Nossa última conversa foi sobre o momento que estou vivendo aqui hoje: o juramento na OAB. Com ele, também advogado, aprendi a lutar pelo que acredito, a lutar pela Justiça”, disse.

Odair Duarte de Siqueira, formado pela Universidade Tuiuti do Paraná, foi o último dos cinco oradores da turma de compromissandos desta manhã a falar. Ele expressou sua gratidão às famílias e aos professores dos novos advogados. “Nosso desafio agora é sermos leais a aplicarmos o bom Direito”, afirmou.

Conselhos

A oração aos novos advogados foi feita pelo conselheiro estadual Ítalo Tanaka, que fez um conjunto de recomendações para a caminhada profissional e lembrou que exercer a advocacia é, muitas vezes, contestar o que está posto “Solenidades como esta renovam minha fé e minha crença na advocacia”, pontuou.

O presidente Noronha também listou conselhos para os novos profissionais. “Defendam seu bom nome e, em caso de dúvida, consultem um colega mais experiente. Estudem todos os dias, pois quem não o faz é a cada dia um pouco menos advogado. Valorizem seus honorários e defendam as prerrogativas da profissão”, exortou.

Também participaram da solenidade a vice-presidente da Caixa de Assistências dos Advogados (CAA) do Paraná, Daniela Ballão; a advogada Stela Marlene Schwerz, representando a Escola Superior de Advocacia (ESA); e a advogada Anelize Fayad, da Comissão de Advogados Iniciantes (CAI).